FILIPENSES

Alegria no serviço cristão.

Terceira Igreja Batista do Plano Piloto 

Escola Bíblica Dominical - Lúcio Cesar Silva de Menezes


3 Sempre que penso em vocês, eu agradeço ao meu Deus. 4 E, todas as vezes que oro em favor de vocês, oro com alegria 5 por causa da maneira como vocês me ajudaram no trabalho de anunciar a Boa-Notícia do evangelho, desde o primeiro dia até agora. 6 Pois estou certo disto: Deus, que começou esse bom trabalho na vida de vocês, vai continuá-lo até que ele esteja terminado no dia de Cristo Jesus.

 Conforme ensino de F. F. Bruce[1] “a ardente participação deles no ministério evangélico de Paulo era um sinal seguro da obra da graça, que começava a operar em suas vidas quando, de início, creram na mensagem salvadora. (...) A salvação é obra de Deus do princípio ao fim; portanto, onde ela começou, certamente se completará.”

A cooperação que gerava em Paulo tão evidente alegria deveria continuar até a volta de Cristo. Ela começou “desde os primeiros dias”, por meio do novo nascimento, continuou se manifestando na vida diária do povo de Deus e se completará no dia de Cristo Jesus.

Tim Temple[2] afirma que a confiança expressa por Paulo “não estava baseada em qualquer aspecto humano. A segurança em uma comunhão duradoura está na atuação divina”.

Tim Temple continua: “o que o verso 6 quer dizer é que Ele que começou a boa obra em nós por meio da salvação tomará conta da nossa vida do mesmo jeito que resolveu uma situação muito mais difícil provendo-nos, em primeiro lugar, a salvação”

Em outras palavras, a vida cristã não está apenas sob nossa responsabilidade. Deus está conosco e à disposição para nos dar a força necessária para as melhores escolhas e decisões que precisam ser feitas. Esta cooperação na divulgação do evangelho continuará não por razões humanas, mas pela ação divina.

Segundo John Hart, “a interpretação mais comum desse versículo é de que trata do processo de santificação até a salvação escatológica dos filipenses (e de todos os crentes) Ver Gálatas 3:3. Ainda segundo Hart, no entanto, há uma outra possibilidade que ele considera mais adequada ao contexto da carta aos filipenses.

Para ele, trata-se mais diretamente da ajuda (cooperação, koinonia) dos filipenses na propagação do evangelho representada pelos presentes enviados para sustento do apóstolo. Ou seja, Deus estaria aperfeiçoando a cada dia a capacidade dos filipenses de colaborar com o evangelho com generosidade. Nesta linha, a interpretação de que a boa obra se refere à salvação/santificação fica um pouco deslocada.

Vale chamar a atenção para uma doutrina denominada perseverança dos santos, pela qual os crentes, uma vez salvos por Cristo, jamais poderão se perder de novo ou ir para o inferno. O que Deus começou (a salvação) ele terminará. Sendo assim, nada poderá retirar um salvo das mãos de Cristo. (João 10:25:30). Uma vez salvo, ainda que os frutos não apareçam, não há volta. Segundo esta interpretação, nem mesmo o livre arbítrio poderia permitir o afastamento deliberado de Deus.

Fica, quanto ao argumento, a necessidade de compatibilizá-lo com a questão da apostasia.

Finalmente, a tese leva à conclusão lógica de que o trabalho de santificação/amadurecimento cristão é do Espírito Santo. Ele será o responsável por nos aproximar da vontade de Deus e por desejar ser moldado a sua semelhança.

Para os que desejarem se aproveitar da graça para viver vidas distantes do ideal de santificação há a seguinte advertência, feita por Wil Pounds: “os que usam a graça como uma desculpa para pecar parecem esquecer que um dia estaremos diante do Senhor para responder por tudo que fizemos com nossa vida cristã”.



[1] Novo Comentário Bíblico Contemporâneo, Filipenses. Ed. Vida. 1989.

[2] Phillipian study.

 

9 Esta é minha oração: peço que o amor de vocês aumente cada vez mais, junto com o verdadeiro conhecimento e a perfeita compreensão 10 para que possam escolher o melhor. Então, no dia de Cristo, vocês estarão livres de toda impureza e culpa. 11 As suas vidas estarão cheias de boas qualidades que só Jesus Cristo pode produzir, para a glória e louvor de Deus.

 Paulo tem objetivos precisos em sua oração. Em primeiro lugar, deseja que o amor aumente cada vez mais, seja abundante.

Tornando o termo amor mais claro, podemos dizer que amar é uma busca ativa por outras pessoas e pelas coisas que são benéficas e importantes para elas. O amor leva à ação, gera movimento no sentido de preencher as necessidades de outra pessoa.

O amor deve ser a característica da igreja e não a divisão (4:2-3) ou o interesse pessoal e desejo de receber elogios (2:3). Um amor que leve os crentes a procurar os interesses dos outros e não apenas os seus  próprios interesses.

Tal amor deve ser abundante, ou seja, um sentimento que poderia ser traduzido como cheio de riqueza, suprimento ilimitado.

Mas não basta ter amor. É preciso associá-lo ao verdadeiro conhecimento e à perfeita compreensão. Nada de aceitar a frase de que “o amor é cego”. Muito pelo contrário, “ o amor não fecha os olhos para a verdade, para a realidade e para o pecado. O amor cristão deve agir de acordo com a verdade. Devemos praticar a verdade em amor (Ef. 4:15).”[1]

O conhecimento que se trata aqui não é apenas  a coleta de informações ou dados técnicos sobre determinado assunto. Antes, está ligado à ética e ao comportamento. É algo capaz de orientar a vida dos filipenses na tomada de decisões diárias, discernindo o que melhor, pois significa o conhecimento da Palavra de Deus e de seus valores.

O conhecimento e a verdadeira compreensão são necessários para temperar o amor, pois muitas vezes as escolhas precisam ocorrer não entre o bem e o mal, mas entre o bom e o excelente. Tais decisões devem conduzir a uma vida digna do evangelho.

Decidir significa saber se algo é bom e valioso após testar, em alguns casos com fogo. Concluir por uma conduta deve ser resultado de um exame acurado, de testes rigorosos.

Isso é importante em razão do tema subjacente da unidade. Na vida comunitária há sempre a necessidade separar as questões que não são fundamentais ou críticas e relevá-las. Crentes que “brigam” por qualquer coisa ou assunto precisam passar pela experiência de ter seu amor aumentado a ponto de testar tais questões e deixar para trás o que não é fundamental.

O resultado imediato é que a vida estará livre de impureza e culpa.

Algumas versões falam em sinceridade. Sem máscara, sem nódoa, livre de subterfúgios. Alguém que pode ser examinado à luz do dia.

A idéia de culpa, no texto, está ligada à possibilidade de ser pedra de tropeço para um outro irmão.

Outro resultado é que a vida será cheia de boas qualidades que só Jesus pode produzir. Tais qualidades podem ser relacionadas com o fruto do Espírito, em Gálatas 5:22-25.

As qualidades relacionadas podem fazer diferença na vida de qualquer crente. Aplicadas à vida diária, podem causar uma revolução nos relacionamentos – uma família melhor, pais e filhos mais integrados, casais mais felizes, irmãos se respeitando.

Melhorariam os relacionamentos na igreja, afastando boa parte dos conflitos e sentimentos negativos que nos afastam de uma relação mais próxima de Deus.

 Algumas questões:

1. Como podemos alcançar o verdadeiro conhecimento?

2.   Sua vida possui as boas qualidades pelas quais Paulo orou?

3.  O que você pode fazer para ajudar alguém a crescer em amor, na forma da oração que estudamos?

4. Como Paulo via seus discípulos? (1:1-11)


[1] Robert L. Deffinbaugh. To live is Christ: a study on the book of Philippians.

 


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