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FILIPENSES

Alegria no serviço cristão.

Terceira Igreja Batista do Plano Piloto 

Escola Bíblica Dominical - Lúcio Cesar Silva de Menezes


18    Mas que importa? contanto que, de toda maneira, ou por pretexto ou de verdade, Cristo seja anunciado, nisto me regozijo, sim, e me regozijarei;

19    porque sei que isto me resultará em salvação, pela vossa súplica e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo,

20    segundo a minha ardente expectativa e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a ousadia, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte.

21    Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é lucro.

22    Mas, se o viver na carne resultar para mim em fruto do meu trabalho, não sei então o que hei de escolher.

23    Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor;

24    todavia, por causa de vós, julgo mais necessário permanecer na carne.

25    E, tendo esta confiança, sei que ficarei, e permanecerei com todos vós para vosso progresso e gozo na fé;

26    para que o motivo de vos gloriardes cresça por mim em Cristo Jesus, pela minha presença de novo convosco.

Futuro incerto, mas alegria garantida

Paulo deixa claro que se alegra pelo que é fundamental - a pregação de Cristo. Se há disputa de poder, vaidade ou qualquer outra motivação menor pouco lhe importa. Acredita que sua atual circunstância levará a sua libertação. Pergunta-se então: livre de quê?

HODGES, professor do Dallas Seminary, sustenta que não se trata de ficar livre da prisão, algo imediato, mas de ser livre da possibilidade de falhar em honrar a Deus nos momentos de crise.

DIFFENBAUNGH considera que a salvação/libertação prevista no texto se refere mais ao desejo de ser considerado inocente (justificado) ou, dito de outra forma, ter reconhecido que seu sofrimento era injusto e não decorrente de qualquer pecado ou erro pessoal. Acrescenta que a idéia de que a libertação esteja se referindo à salvação eterna encontra obstáculo na medida em que isto não dependeria de orações dos filipenses para ocorrer - Paulo já era salvo e pronto.

F. F. Bruce ensina que, à semelhança de Jó (Jó 13:12-16), Paulo se alegrava na salvação eterna, pois "esta lhe é garantida, quer receba um veredicto favorável, quer 0desfavorável, do Tribunal de César".  Qualquer que fosse o resultado da provação pela qual Jó estava passando, ele estava certo da vitória pela justificação de Deus.

Outra lição importante na análise do efeito das circunstâncias sobre a vida cristã, é que muitos defendem a doutrina de que o sofrimento está relacionado diretamente ao pecado.

O argumento de Zofar era:

u       A dor e o sofrimento são sempre resultado direto do pecado.

u       Sofrimento = está em pecado

u       Prospera = não está em pecado

u       A punição ou o prêmio pela vida cristã se concretiza nesta vida. "Aqui se faz, aqui se paga".

A resposta de Jó desmonta o argumento com facilidade:

u       Está pronto para enfrentar o que vier

u       Pois confia sua vida e destino eterno a Deus

u       Se Ele decidir tirar sua vida, não há problema pois estará justificado diante Dele

u       Se tudo voltar ao normal não há problema, pois o sucesso e a saúde são circunstanciais (não essenciais)

u       Se for necessário morrer, estou pronto

Com essa visão é que devemos entender a posição do apóstolo. No final, os planos e propósitos de Deus se cumprirão por meio de seu sofrimento. Não se cuida de tratar as circunstâncias pelas quais passamos sob o critério de causa e efeito. Afinal, se assim fosse, teríamos que encontrar bons argumentos para explicar as muitas coisas boas que recebemos sem qualquer merecimento.

 

Viver é Cristo, morrer é lucro...

 

Para mim, viver é____________________.

Como você completaria?

Quais são as coisas ou pessoas mais importantes? Você vive em função delas? O que motiva sua vida? Vive para que ou para quem?

Poucos de nós responderia Cristo. A vida cristã é mais um aspecto entre tantos outros. Em parte seguimos com critério os valores cristãos, em parte vivemos da forma que nos agrada.

Por outro lado, a afirmação paulina pode ser vista como a presença nesta vida de muitas e agradáveis bênçãos. Viver sob o comando de Cristo é maravilhoso e recompensador. Entretanto, por melhor que possa ser a vida aqui, certamente a vida futura trará coisas muito melhores. Sendo assim, Paulo fica no dilema entre continuar vivo e morrer por Cristo.

Um cuidado deve ser tomado. Há uma doutrina equivocada, conhecida como triunfalismo, que prega que é possível se apropriar pela fé de uma vida sem sofrimento, sem dor, sem pecado já nesta vida. Se estamos em Cristo, a vida do céu já deve se manifestar integralmente aqui na terra. O que Paulo mostra é diferente. Viver Cristo no presente é seguir os seus passos em todas as decisões que tomarmos. Não significa que a plenitude da vida futura se antecipará para os momentos atuais.

As circunstâncias de Paulo foram previstas em João 15: 18-25.

Viver (como um dos meus discípulos)

é Cristo (experimentar o que passei)

O texto deixa claro que a identificação com Cristo implica experimentar as mesmas oposições, os mesmos desafios. Afinal, como Ele diz, um servo não pode ser maior (ou melhor) que seu senhor.

"Assim podemos ver o que Paulo quer dizer quando escreve viver é Cristo. Ele quer dizer que tem o privilégio de seguir na terra os passos de Jesus. Ele, como Cristo, está comprometido em pregar o evangelho. Como Cristo, lamenta a queda do homem e da criação que clama pela vida do Reino de Deus. Ele, como Cristo, renuncia sua vida para servir aos outros. Se alegra, ainda, pois no meio dos problemas aumenta sua intimidade com Deus. Para o cristão a alegria não é a ausência de sofrimento, mas a proximidade de Deus em suas adversidades."[1]

Este verso coloca em xeque toda nossa perspectiva de vida. É o mesmo Diffenbaungh que está convencido de que "apenas quando estamos livres para morrer que estamos livres para viver."

Se nos amedrontamos diante do que outros vão falar, se vamos ser perseguidos ou criticados, ficamos com medo e sem ousadia para dar um testemunho firme e corajoso. Seremos pessoas que medem cada palavra para não causar má impressão. Paulo ficaria completamente "preso" se não visse a morte como um lucro, uma vantagem diante da situação. Talvez procurasse falar de forma aceitável diante do imperador, o que nem sempre significaria a verdade que precisava ser ouvida.

Como sua visão de mundo estava centrada no Senhor, Paulo podia falar com clareza e autoridade as verdades do evangelho.

Enquanto estivermos "presos" à avaliação que algumas pessoas fazem de nós, pessoas que queremos ou precisamos agradar, a pregação ousada do evangelho estará comprometida.

Isso pode se estender para questões éticas envolvidas no trabalho e na vida familiar. A falta de transparência e de valores bem definidos pode nos levar precisar de malabarismos para viver corretamente. O que é certo nem sempre é bem visto.

Finalmente, vale destacar que Paulo se aproveitou de recursos que estão à nossa disposição ainda hoje: as orações dos irmãos e a provisão do Espírito Santo.

Quanto melhor nos utilizarmos destes recursos mais bem sucedidos seremos na vida espiritual. Via de regra, as dificuldades e os problemas assumem proporções erradas quando deixamos de recorrer à oração. Sufocados pela pressão que as circunstâncias imprimem, perdemos a perspectiva de que a intimidade com Deus é o grande diferencial na vida cristã.

Da mesma forma que Jó, Paulo pode se alegrar diante de situações tão desfavoráveis na medida em que reconhece que o seu futuro está nas mãos  de Deus.

Qualquer coisa que lhe aconteça não será capaz de destruir sua esperança.  Ele está seguro e confiante ao viver em Cristo, mas sabe que o futuro será ainda mais perfeito.



[1] Diffebaungh, já citado.


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