FILIPENSES

Alegria no serviço cristão.

Terceira Igreja Batista do Plano Piloto 

Escola Bíblica Dominical - Lúcio Cesar Silva de Menezes


Desenvolvendo sua salvação

Aspectos práticos da vida cristã

Filipenses  2:

12 Assim, meus queridos amigos, vocês me obedeceram quando eu estava aí.

Porém, agora é muito mais necessário que me obedeçam, enquanto eu estiver

ausente. Continuem trabalhando com respeito e temor a Deus para completarem

a salvação de vocês.

13 Porque Deus está agindo sempre em vocês para que obedeçam à vontade dele,

tanto no pensamento como nas ações.

14 Façam tudo sem queixas ou discussões

15 para que não tenham nenhuma falha ou mancha.  Sejam filhos de Deus, sem

culpas, vivendo num mundo de gente pecadora e perdida. No meio dessa gente

vocês devem brilhar como as estrelas no céu

16 entregando a eles a mensagem da vida.  Se agirem assim, terei motivo de

sentir orgulho de vocês no dia de Cristo, pois isso mostrará que todo o meu

esforço e todo o meu trabalho não foram inúteis.

17 Talvez o meu sangue, isto é, a minha vida, seja juntado como uma oferta

ao sacrifício que vocês, por meio da sua fé, apresentam a Deus. Se isso

acontecer, ficarei contente e me alegrarei com vocês.

18 Assim vocês também fiquem contentes e se alegrem comigo.

O primeiro modo de desenvolver a salvação concedida de graça por meio de Cristo é pela obediência. Não se trata de conseguir a salvação pelo exercício de obras que nos justifiquem perante Deus. A salvação é resultado da fé, não das obras (cf. Rm. 3:19-30, Ef. 2:8-10), mas deve mostrar como resultado obras de qualidade. Significa viver de forma digna do evangelho (Fil. 1:7). O desenvolvimento da salvação é pessoal, um processo que segue pela vida inteira, cada um sendo responsável por sua própria situação diante de Deus e da igreja.

A atitude correta para desenvolver a salvação é com respeito e temor (ou tremor e temor), com humildade. Afinal, sabemos que qualquer boa obra é mais de origem divina do que de nossas inclinações pessoais. A atitude de humildade resultante de agir com temor e respeito a Deus está ligada a postura de Cristo que, tendo a natureza de Deus, não se utilizou desta prerrogativa para se eximir de cumprir sua missão. Ao contrário, assumiu a natureza humana e foi obediente até a morte de cruz. 

Agimos motivados por Deus 

O verso 13 trata da ação do Espírito Santo na vida do crente. Embora não esteja explícito, indica claramente o trabalho do Espírito em fazer prosperar o caráter no novo homem diante da luta contra as inclinações naturais. Não fosse a atuação divina continuaríamos a agir com egoísmo e buscando sempre nossos próprios interesses.

O desenvolvimento da salvação, como visto, significa colocar em prática os ensinos recebidos. Paulo destaca isso, concluindo o raciocínio lógico de que diante do exemplo de humildade de Cristo não resta outra alternativa para os filipenses.

Deus atua em duas frentes: nos pensamentos e nas ações.

No pensamento, atua no querer da pessoa. Gera o desejo de servir, de agradar e de dar o melhor em proveito dos outros. O Espírito motiva o crente a servir.

Nas ações, dá a força necessária para que seja colocado em prática o pensamento espiritual. Contribui para que o conhecimento da verdade não se resuma à teoria, mas se revele em ações práticas e objetivas que dignifiquem o evangelho.

A ação declarada de Deus tem por objetivo levar o crente a agir dentro da vontade de Deus. Ou seja, a perfeita e agradável vontade de Deus nem sempre encontra em nós o reconhecimento de que é o melhor para nossas vidas. Muitas vezes achamos que a melhor solução é a que está de acordo com  nossa vontade e não a que se conforma à vontade de Deus.

Mesmo em situações em que desejamos fazer coisas espirituais ou realizar atos de culto, preferimos que tudo aconteça da forma que nos agrada e não da que agrada a Deus. Vemos isto presente num dos momentos mais importantes da celebração coletiva (igreja em culto) que é o louvor e adoração cantados. Quanta reclamação e discussão travadas e levam a tudo menos a uma adoração sincera, em espírito e em verdade.

A tensão resultante da divergência de vontades vai gerar duas reações que Paulo é enfático em recusar. 

Nada de queixas e discussões 

O texto fala que tudo deve ser feito sem murmurações e discussões. Tudo mesmo: cada palavra, cada decisão, cada gesto, cada comentário que se faz deve passar por esse crivo.

A reclamação (ou murmuração) é a manifestação de que discordamos da forma como Deus está agindo em nossa vida. Pensamos que deve haver uma forma melhor, mais sábia e mais agradável.

Os israelitas são um bom exemplo em sua peregrinação no deserto. Perturbaram tanto a Deus que receberam como corretivo a necessidade de comer o maná até não agüentar mais!

A murmuração demonstra falta de alegria diante da vida. É tudo que Paulo deseja evitar. Ele mesmo podia reclamar, mas alegrava-se e incentivava os outros a se alegrarem. Deus está no comando de todas as coisas!

Enquanto se está reclamando não é possível estar alegre e disposto ao trabalho. Ao contrário, a reclamação vai tornando o trabalho cada vez mais penoso e pesado.

Infelizmente, há pessoas que vivem para reclamar. Nada está bom, tudo está errado e todos estão contra ela. Uma verdadeira neurose.

Veja o que aconteceu com Marta. Maria estava sentada ouvindo a palavra do Mestre. Enquanto isso, Marta estava envolvida com o serviço que precisava ser feito. Marta vai se enervando e se irritando em ver Maria sentada. Começa a sentir-se injustiçada e explorada, prejudicada em seus direitos. O trabalho se torna um fardo que lhe tira a alegria. Começa, depois, a se ressentir com Cristo. Será que ele não percebe como estou trabalhando, me esforçando e fazendo tudo sozinha? É tão insensível assim? Será incapaz de se preocupar comigo e com minhas necessidades? Neste ponto, a alegria se foi e o coração está cheio de irritação e mágoa. Provavelmente os que estavam por perto já tinham ouvido Marta reclamando entre os dentes da situação. Segue, então, o terceiro estágio: Marta começa a determinar ao Mestre o que fazer! "Não vês que há muito serviço? Manda que Maria me ajude!" Está tão focalizada em seus direitos que se vê com autoridade para submeter a vontade de Cristo a sua.

Esse é um processo que precisa ser interrompido logo na primeira fase. Quando você começar a se sentir injustiçado ou sem merecer o devido cuidado de Deus é porque está mais focalizado em seus problemas pessoais que na figura soberana de Deus. Peça a Deus que atue no seu pensamento (querer) e leve-o a ajustar o foco nele e em sua constante atuação na sua vida, inclusive nas circunstâncias menos favoráveis.

Quando não se consegue romper o processo da murmuração na fase inicial outros problemas surgem. A reclamação é contagiosa. Começa dentro de você, mas logo se propaga e encontra espaço para progredir com a participação de outras pessoas. Logo outros começam a dar valor a suas queixas e, muitas vezes, ainda aproveitam para juntar mais reclamações.

Se nada é feito para retornar ao  foco correto, logo vemos um grupo de pessoas reclamando de tudo e de todos.  A energia que se forma pela repetição das reclamações leva à fase seguinte em que se acusa ou pressiona os líderes. No caso israelita, várias vezes o povo se voltou contra Moisés. O que não se percebe é que tais reclamações significam rebeldia não apenas contra os líderes mas, em última análise, atacam a soberania divina. Bom, acho que todos já vimos esse filme, não é?

A murmuração é pecado, pois questiona a ação de Deus na vida do crente e gera reações que em nada exaltam o nome de Deus.

Outra atitude que deve ser evitada é a discussão, a contenda. Há pessoas que têm prazer em vencer batalhas verbais, demonstrando que são poderosas na argumentação e no exercício lógico.

São contestadores natos, não pela necessidade de corrigir erros ou defeitos, mas pelo prazer que questionar fatos e pessoas.

Tal atitude é causa de divisões e conflitos. Traz rompimento de relações e contraria o mandamento de que devemos amar uns aos outros. A comunhão é prejudicada e o corpo de Cristo sofre as conseqüências.

Há uma pergunta que não nos deixa tranqüilos: nossa atitude no corpo de Cristo e na vida cristã é ausente de queixas e discussões?

Não esqueçamos: a murmuração e a discussão são pecados. Não devemos praticá-los e nem devemos promovê-los ou incentivá-los. 

Cura para a murmuração 

E o que devemos fazer para sair da armadilha da murmuração? Há muitas possibilidades, mas Deffinbaugh dá destaque para a ADORAÇÃO E LOUVOR.

Um exemplo excelente está no Salmo 73, quando Asafe começa se inquietando com a prosperidade dos injustos e, apenas quando começa a Adorar a Deus é que começa a ver as coisas corretamente e se afasta da amargura e do ódio.

Outro Salmo interessante de se ver é o 95. Em meio à chamada para o louvor que constitui a primeira parte do salmo, surge uma exortação para que se tenha cuidado com a REBELIÃO.  Ou seja, quando deixamos de louvar e adorar a Deus entramos numa estrada que leva à rebelião e ao afastamento do Senhor.

Adorar a Deus é por em prática o ensino de que devemos exaltar Seu nome em tudo que pensamos e fazemos. Com esta atitude não resta espaço para reclamações, murmurações, fofocas, discussões e ofensas entre os irmãos. 

Ações refletem a glória de Deus 

A postura que valoriza a unidade, fundamentada na humildade e desejo de servir, reflete o padrão superior do evangelho. Exerce uma forte influência na sociedade, destacando-se do lugar comum do egoísmo e da busca dos interesses pessoais. Viver de forma que incentiva a paz e a unidade significa se destacar, se colocar em outro plano, da sociedade corrupta e pecaminosa.

A sociedade olha para a igreja e vê uma harmonia e um cuidado recíproco entre seus membros que não é natural. Pelo menos é assim que Paulo ensina.

A alegria que caracteriza a vida cristã, fundada na perspectiva correta que Deus é soberano e controla todas as circunstâncias, não pode se manifestar apenas nos momentos agradáveis. Ao contrário, deve se aperfeiçoar nos momentos de sofrimento e de adversidades.  

Alegro-me na alegria de vocês e vocês podem se alegrar comigo também 

Finalmente, vale destacar que Paulo tinha motivos aparentemente justificadores de uma atitude impaciente e de reclamação. Seus sofrimentos eram muitos e intensos. Mas ele dá mais uma vez o exemplo e coloca-se como sendo o sofrimento e as dificuldades que dos filipenses  muito mais importantes e significativos que o seu.

Aceita que sua vida e seu ministério apareçam apenas como uma parte secundária em relação ao sacrifício dos filipenses.

Paulo não apenas considera um privilégio sofrer pelos filipenses como vê o sofrimento dos filipenses mais importante. É uma forma de incentivar os crentes de Filipos a encararem a adversidade de forma positiva e alegre, exaltando o nome de Deus.


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