Alegria no serviço cristão.
Terceira Igreja Batista do Plano Piloto
Escola Bíblica Dominical - Lúcio Cesar Silva de Menezes
A unidade é fundamental
Filipenses 4:1-5
1 - Portanto, meus amados e saudosos irmãos, minha alegria e
coroa, permanecei assim firmes no Senhor, amados.
2 - Rogo a Evódia, e rogo a Síntique, que sintam
o mesmo no Senhor.
3 - E peço também a ti, meu verdadeiro companheiro, que as
ajudes, porque trabalharam comigo no evangelho, e com Clemente, e com os outros
meus cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.
4 - Regozijai-vos sempre no Senhor; outra vez digo, regozijai-vos.
5 - Seja a vossa moderação conhecida de todos os homens.
Perto está o Senhor.
O verso 1 do capítulo 4 começa com portanto,
levando os leitores a considerarem os argumentos feitos no capítulo
antecedente.
Os filipenses deveriam lembrar que sua cidadania é
celestial, que esperam a volta do Senhor Jesus Cristo. Deveriam guardar a
verdade com segurança em uma das mãos valorizando a unidade da igreja e, com a
outra, resistir aos ataques doutrinários a que estavam sujeitos.
Deveriam permanecer firmes e não ser convencidos
pelos argumentos judaizantes (3:3-16),ou dos que viviam sem regras,
"dominados pelo ventre" (3:17-21).
As duas situações descritas são graves e com um
potencial de destruição da vida da igreja muito elevado. Após tratar de
assuntos tão sérios, é interessante a passagem de Paulo para o que aparenta
ser uma questão menor, mais simples e superficial: um desentendimento entre
duas irmãs na igreja.
A primeira conclusão a que se pode chegar é que
Paulo considerava a existência de conflitos não resolvidos tão grave e
perigosa quanto os outros assuntos tratados.
Vejamos se ele está certo ou não.
O conflito gera instabilidade na igreja,
contrariando a exortação do apóstolo que precisamos permanecer firmes no
Senhor. Ligados ao conflito não resolvido, outros pecados se manifestam e
passam a comprometer o testemunho da igreja:
A presença de conflito entre dois ou mais crentes
influencia de forma negativa toda a igreja, drenando energia que poderia e
deveria ser usada para honrar e glorificar a Deus.
A instrução de Paulo objetiva evitar que o
ambiente negativo se instale na igreja. Além de superar problemas graves de
origem doutrinária, Paulo orienta os filipenses para que não deixem brechas de
modo que assuntos pessoais acabem por estragar a comunhão da igreja.
O texto e o contexto permitem, também, a conclusão
de que as irmãs Evódia e Síntique não estavam se debatendo com problemas
doutrinários. Afinal, se uma estivesse ensinando algo errado ou herético,
Paulo teria se posicionado claramente a favor da que estivesse certa. Não foi o
que aconteceu. Paulo não se coloca de nenhum lado, mas pede encarecidamente
que elas entrem em acordo e sintam o mesmo no Senhor.
Divergiam em questões não doutrinárias, de gosto
pessoal, de preferências, talvez sobre a forma de fazer ou prestar culto. Poderíamos
imaginar algumas das discussões modernas sobre hinos X corinhos, estilo
de música, uso de instrumentos de percussão, palmas, dança etc.
Como líderes, pessoas que tinham estado com Paulo
em seu ministério, começaram a alinhar os seus partidários, gerando divisão
e disputa. Contra isto Paulo se levanta.
A estabilidade da igreja (permanecei firmes)
acontece quando uma comunidade cultiva um ambiente de solidariedade, de comunhão,
de interesse recíproco. Há unidade quando:
Percebe-se claramente que onde há harmonia há
estabilidade. As dificuldades podem ser enfrentadas com coragem quando há apoio
recíproco.
O crente, representado pelas irmãs citadas na
carta, têm uma missão a cumprir em seus relacionamentos na igreja.
Devem ser pessoas que apóiam os mais fracos, que levantam
os caídos, que ajudam a restaurar os
quebrados e demonstram amor aos que estão afastados. Onde há
conflito a missão fica comprometida.
Sabemos que os "inimigos da cruz" desejam,
por todas as formas, desacreditar a missão da Igreja. Usam das mais variadas
estratégias para conseguir seu objetivo. Paulo ensina que, muitas vezes, os próprios
crentes dão margem para que o inimigo consiga sucesso em suas investidas.
O conflito estava acontecendo entre duas irmãs que
eram membros da igreja. Não se trata aqui de questões envolvendo não crentes.
Já vimos que a questão não era doutrinária. A disputa abria uma oportunidade
para que o testemunho da igreja ficasse comprometido.
No capítulo 1, verso 27, Paulo diz que é preciso
agir de maneira digna do evangelho de Cristo. É uma exortação pela unidade.
No capítulo 2, verso 2, pede que completem sua alegria tendo a mesma mente,
amando a todos sem discriminação, unidos no Espírito por um mesmo propósito,
sendo humildes, considerando os outros mais importantes, não buscando seus próprios
interesses, mas considerando os dos outros prioritários.
Todos podem estar na mesma situação das irmãs
citadas. O passado positivo e útil à igreja não é impedimento para que alguém
se torne um agente do conflito. Esta é uma advertência importante. Podemos
estar contribuindo para que a igreja seja desacreditada quando estamos
fomentando ou nutrindo posições conflituosas na Igreja.
Buscando a solução, Paulo recorre à ajuda de pacificadores.
Refere-se a um verdadeiro companheiro, pedindo-lhe que ajude as duas
mulheres a encontrarem uma posição de consenso.
Há várias idéias sobre quem seria tal companheiro de jugo. F. F. Bruce
sugere a possibilidade de ser Lucas. Mounze acha que a palavra Syzygos,
traduzida como verdadeiro companheiro, seria na verdade um nome próprio. Ambas
as versões ficam no campo da especulações.
O importante é que Paulo recorre a pessoas idôneas para ajudar as
mulheres na reconciliação.
Outro aspecto que favorece para que o crente permaneça firme no Senhor
está no verso 4 - Alegre-se no Senhor.
A manutenção de um espírito de alegria e satisfação contribui para
que se permaneça firme no Senhor, independente das circunstâncias e das
pessoas que nos cercam. Esta postura afasta a tendência em assumir a situação
de vítima, de sofredor, diante das circunstâncias adversas. Quando tudo vai
bem estamos firmes no Senhor, mas quando as primeiras dificuldades surgem
(desemprego, doença, injustiça...) as bases tremem.
É um mandamento. Alegrem-se no Senhor, não apenas quando quiserem ou
gostarem, mas sempre. Mesmo que haja coisas em sua vida que não lhe agradem,
alegre-se no Senhor. Observe que a alegria não deve residir em outras
pessoas. Há sempre a possibilidade de decepção quando se coloca a alegria
na forma como determinada pessoa age. No Senhor não há espaço para decepção.
Ele é fiel, constante, imutável, onde não há sombra de variação.
Alegre-se em Deus pelo que Ele é! Soberano sobre todas as coisas, está
no comando da história. Nada pode acontecer fora de seu controle. O salmo 139
traduz o que estamos falando.
Deus é amor, é sabedoria.
Alegre-se em Deus pela sua salvação eterna e imerecida. A vitória de
Cristo sobre a morte na cruz é a redenção dos que crêem.
Alegre-se porque Cristo voltará e levará seu povo para os céus, de
onde já somos cidadãos. Já agora está preparando os lugares dos salvos.
Alegre-se porque Deus permite que você seja usado para servir aos que
ama, aos que estão ao seu redor e até aos que você nem conhece. Sua vida pode
ser útil para espalhar a mensagem do evangelho, para fazer conhecida a nova
vida em Cristo. Pode, também, ser usada para encorajar e apoiar outros que estão
fracos na fé, com problemas materiais ou espirituais, tristes ou abatidos.
Alegre-se pela possibilidade de ter livre acesso ao Pai por meio da oração.
O Deus do universo se importa o bastante para nos ouvir e nos atender segundo
sua soberana vontade.
Como visto, há razões mais que suficientes para nos alegrarmos no
Senhor. Esse é um princípio fundamental para que o crente se mantenha firme,
longe dos erros doutrinários e dos conflitos interpessoais. Quando se está bem
com Deus (paz interior), há harmonia com as pessoas (harmonia exterior).
Finalmente, Paulo pede aos filipenses que sua moderação seja conhecida
de todos.
A sociedade atual valoriza a contenda, a exigência de direitos e
vantagens, considerando as pessoas moderadas como covardes e fracas.
A moderação que Paulo menciona está relacionada com um problema de
relacionamento interpessoal que está levando à desunião da igreja. Tem a ver
com a forma como tratamos as pessoas.
Significa ser razoável, agir com bom senso, sem radicalismo. Poderia ser
entendida como uma orientação para que evitassem disputas sobre o que não é
essencial.
Ser moderado pode ser entendido como ter uma atitude mental positiva ou
favorável à outras pessoas (ou idéias). Mais ainda, revela uma atitude de
graça, de alguém que não examina o outro pelo que merece. Se aplicássemos
a regra do merecimento em todas as relações, estaríamos sempre em conflito.
A moderação é uma característica do caráter de Cristo, a quem
devemos imitar (2 Cor. 10:1) e do líder cristão (I Tim. 3:3).
A moderação deve ser conhecida. As pessoas devem experimentar na prática
os efeitos benéficos de lidar com alguém que age com moderação. As pessoas
que lidam com você devem perceber que prestar deferência às pessoas,
compreendê-las, respeitar suas limitações, valorizar suas qualidades fazem
parte de sua vida.
A flexibilidade vai aparecer como uma característica importante nos
relacionamentos. Nem sempre é possível que as coisas sejam do jeito que
queremos. Nem sempre será possível nos relacionarmos com pessoas que são do
jeito que gostamos. Será preciso estar disposto a ceder, a negociar, a
encontrar soluções mutuamente satisfatórias. Muitos casamentos não dão
certo pela incapacidade dos cônjuges de agir com moderação. Desejam, antes,
moldar o outro. Desejam provar que sua posição é melhor, mais inteligente,
mais adequada, mais perfeita. Não gostam de mudar programações, horários ou
hábitos. Tudo e todos têm que se adequar a sua forma superior de ser.
A resposta conciliadora, moderada, branda é capaz de desarmar conflitos,
de estabelecer um relacionamento sadio e de encontrar as melhores soluções. Na
igreja, contribui para que os ataques do inimigo não se aproveitem do ambiente
tenso das disputas e conflitos para desacreditar o corpo de Cristo.
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