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ReVendo

"...não que já seja perfeito, mas prossigo para o alvo..."

Número 017, 29 de março de 2001

Lúcio César Menezes

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Conteúdo

Família

Liderança


Família

As exigências da vida social moderna criam alguns dilemas para as famílias. Uma das questões é como estabelecer um equilíbrio entre o trabalho e as necessidades da família.

Bem, mas há mesmo necessidade desse equilíbrio? Qual a razão? A resposta positiva se estriba no argumento de que o sentido da vida vem, dentre outros possíveis, da realização profissional e de uma família ajustada.

Quando uma das duas áreas cresce de importância a ponto de sufocar a outra há sinais de problemas. Afinal, não faz sentido conseguir crescer num aspecto em detrimento do outro. O ideal é o desenvolvimento equilibrado das duas áreas.

Uma das razões para o dilema é que a realização profissional valoriza atitudes e soluções diferentes das que são prioritárias no relacionamento familiar:

  1. A relação familiar valoriza o processo, o relacionamento; o trabalho os resultados.
  2. Na família valem muito as emoções; no trabalho, a razão.
  3. A família pressupõe cooperação; o trabalho é, por definição, competitivo.

O resultado é a dificuldade de o cônjuge transitar com habilidade entre os dois campos, agindo da forma mais adequada e eficiente para cada um deles.

Permitir que uma das áreas se destaque como prioritária terá algumas conseqüências que precisam ser avaliadas. Cada um concluirá pela melhor forma de solução para sua própria vida.

Primeiro, a área que for escolhida como prioritária se desenvolverá e dará seus frutos, trazendo junto satisfação. A outra área, no entanto, sofrerá com isso, não se desenvolvendo tanto e gerando, em conseqüência, certo nível de frustração. O equilíbrio pode ajudar a diminuir a frustração nas duas áreas e trazer satisfação em ambas.

Segundo, escolhida uma área, anos à frente pode surgir o arrependimento por não ter valorizado mais a outra área. Por exemplo, profissionais bem sucedidos podem se arrepender por não terem "curtido" a infância dos filhos. Por outro lado, pais dedicados podem se lamentar por não terem aproveitado determinada oportunidade de serviço que, talvez, tivesse mudado o rumo de sua carreira. Para os dois casos, uma reavaliação das prioridades da vida é necessária!

Terceiro, a avaliação de prioridades do casal não deve ser estanque, imutável. Na verdade, é mais inteligente estabelecer as prioridades para determinadas fases da vida, revendo-as regularmente. Assim, é possível ir ajustando as ênfases dadas a cada área sem sentimentos de culpa e o estresse daí decorrente. Afasta-se, ainda, o "mito" de que é possível ser tudo para todos o tempo inteiro.

A flexibilidade no estabelecimento de prioridades ajuda a conseguir um ponto de equilíbrio entre família e trabalho. Afinal, não é bom ficar amarrado a um único aspecto da vida deixando de lado o outro. A frustração em uma área acabará por cobrar seu preço na outra.

Em suma, a qualidade de vida será melhor quando o crescimento acontecer de forma consistente e permanente em todas as áreas da vida da pessoa. Áreas hipertrofiadas prejudicam a harmonia da vida e cobram caro por isso.

 

Liderança

Vez por outra olhamos para algumas instituições de sucesso e começamos a imaginar quais as possíveis razões para serem bem sucedidas. Será uma grande idéia, boa propaganda, serviço de qualidade, respeito ao cliente?

As respostas estão, muitas vezes, em como a instituição começou, em que bases se assentou a organização.

Em instituições eclesiásticas, onde as verdades doutrinárias devem ser passadas aos que ali congregam nas mais variadas formas, o ambiente é importante. As necessidades abrangem programas que vão da primeira infância à terceira idade e exigem capacitação cada vez maior dos voluntários.

Aliás, o trabalho voluntário é outra característica das instituições eclesiásticas, requerendo treinamento e capacitação para o serviço.

A igreja em Filipos pode ser usada como exemplo no estudo de causas que contribuem para o sucesso.

Os aspectos que podem ser destacados são:

  • concepção (sonho, visão, gestação): a igreja começa com algumas mulheres que oram e pedem a Deus para que sejam supridas suas necessidades espirituais. Imaginam uma comunidade capaz de restaurar relacionamentos e sentimentos. A idéia vai tomando corpo e a oração move o coração de Deus. (ver Atos 16:13)
  • implementação (direção): a implementação vem o direcionamento divino a Paulo. Não há explicações detalhadas de como aconteceu, mas o texto de Atos 16 mostra que Deus fechou algumas portas para indicar que necessidade deveria ser preenchida naquele momento. Há um movimento no sentido dado por Deus, são tomadas atitudes e decisões para que a visão seja concretizada. (Ver Atos 16:6,7)
  • compromisso com a visão (obediência, persistência, resistência a oposições): Feitos os movimentos iniciais, a Igreja surge com a pregação do evangelho e várias conversões (Lídia, jovem possessa e carcereiro). Há uma instituição em progresso. Ela surgiu porque os servos obedeceram ao direcionamento de Deus e agiram de acordo. Mesmo em meio a perseguições e resistências a igreja não recuou, pois surgiu com bases sólidas e definidas.

Não admira que seja uma Igreja tão ligada ao conceito da alegria. Uma instituição que sabe de onde vem e para onde vai desenvolve um ambiente agradável e motivador, ainda que não isento de dificuldades.

 


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